A fé possível: montagens artísticas que possibilitam enxergar o mundo criticamente

*Fotografia: Elenco de Senhora dos Afogados no Teatro Oficina, Arquivo Pessoal.

“Agora, entendo que a única coisa capaz de justificar todas as pesquisas científicas, filosóficas, a arte, é não saber o que é o nada” – Annie Ernaux, em “O uso da foto” (Editora Fósforo, 2025)

Penso em como ofertar um último texto este ano a partir da perspectiva do teatro – é, afinal, o território no qual estive mais recentemente imersa no último ano. Além do mais, entendo as Artes Cênicas como um imenso espelho da sociedade em que nos inserimos.

Aqui partilho, então, algumas percepções do caminhar.

Com a Professora Marici Salomão, aprendi que “o teatro não ensina, o teatro educa”.

Com o Professor Juão Nÿn (@juaonyn), aprendi que “quem não cria, está sendo criado”.

Com o Professor Daniel Veiga, lendo “Incêndios”, recordei a importância de “ler, escrever, falar, para sair da miséria, sair do ódio”.

Com Bertolt Brecht e Denise Stoklos, aprofundei minha convicção em batalhar por uma arte que não seja reduzida a mais uma forma neoliberal de alienação, entretenimento puro. Ou seja: criar teatro essencial. Um teatro pacifista, crítico à Guerra.

Um teatro que não reproduza o que já está posto na sociedade, mas que ofereça alternativas e perspectivas de transformação. Não é mais possível aceitar elencos com “buracos”, com pouca – ou nenhuma – diversidade étnica e racial.

Neste sentido, reverencio criações que me proporcionaram este tipo de experiência em 2025, como a montagem de Senhora dos Afogados no Teatro Oficina. O filme Jeanne Dielmann, da cineasta belga Chantal Akerman e “Bugonia”, do diretor grego Lanthimos.

E, claro, não menos importante: os longas nacionais “O Agente Secreto” e “Vitória”. Os poemas de Audre Lorde. As dramaturgias de Sarah Kane, Renata Carvalho, Blendon Cassio, meu querido colega.

Aliás, deixo aqui o agradecimento aos e às colegas que vivenciaram algumas dessas experiências comigo.

Que o próximo ano nos brinde com excelentes leituras, inspiração, sabedoria dançante e sempre, sempre, amor. Fé na arte é uma forma de fé possível.

A você que me lê, muito obrigada. Desejo que continue por aqui sempre que quiser. 🙂

Com meu abraço,

Rafa

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