Fotografia do Diretor Fernando Bertuzzi.
Está chegando ao fim a realização de meu Projeto “O Nascer da Poesia: pequenos poemas, grandes ideias”, na Escola Municipal de Ensino Básico Arnaldo Grin, em Novo Hamburgo, com financiamento do Programa RS Seguro COMunidade. Edital para artistas que queiram inscrever novos projetos está aberto, pelo site da Sedac.
Mostra com exposição de trabalhos encerra na tarde do dia 24 de julho
As primeiras atividades de encerramento envolveram momentos para contemplar alunos no contraturno para a finalização dos cartazes/quadros poéticos (criações artísticas com recortes visuais, desenhos e poemas), inicialmente elaborados durante minha presença na disciplina de Artes.
O momento foi rico, mais intimista do que as vivências anteriores nas turmas com maior número de alunos. Percebi um maior rendimento nos trabalhos manuais. Cada vivência, no entanto, é singular. Nos meses anteriores, as dinâmicas propostas com turmas de 7º, 8º e 9º ano buscaram ampliar noções sobre o que é poesia. Nas aulas de Educação Física, por exemplo, houve jogos teatrais e prática de Yoga (agradando a maioria).
Reitero que as práticas animaram o corpo discente e docente da Escola não apenas por observação empírica, mas por ter lido o relatório de avaliação do projeto que propus às estudantes e aos estudantes. A finalização oficial da atividade aconteceu no dia 18 de julho, nas salas de aula, seguida da abertura da exposição dos trabalhos na Biblioteca Mário de Andrade, nos intervalos da manhã e da tarde.
Além da mostra dos trabalhos (que segue até amanhã, dia 24 de julho, no intervalo da manhã), a abertura teve um Sarau de Poesias – com alun@s lendo poemas – e participação do músico graduando da UFPEL Maurício Colina. Ele tocou um repertório de Música Popular Brasileira e passou nas salas para conversar com as e os jovens sobre sua trajetória enquanto estudante da Rede Pública, desde o Ensino Básico até a Universidade.
No dia 24 de julho, amanhã, recolherei os materiais da Exposição e será considerado oficialmente encerrado o Projeto. Aqui, permito-me um momento para pensar e refletir: como estou me sentindo? Sinto-me cansada e ansiando por descanso. Foi bastante desafiador, no último semestre, equilibrar estudos e a condução deste e outros projetos.
Além disso, minhas expectativas quando idealizo uma iniciativa são sempre as mais altas. Acho que isso é positivo. Eleva as possibilidades para mim e quem me cerca. Mas há a expectativa e a realidade. O que podemos fazer dentro do que é possível e humano.
Educar é uma tentativa. Exercer a docência é questionar-se o tempo todo: será que fiz o melhor que podia pelas alunas e alunos? Como posso fazer mais?
Assim, fazemos. Um dia após o outro. Buscando uma versão melhor de nós mesmos e de nossos estudantes. Aceitando, também, algumas impossibilidades. E, claro, mantendo uma postura intransigente diante daquilo que não pode ser aceito: a violência como normalidade.
Agora, permita-me falar um pouco mais, justamente, sobre essa realidade.
Violência e suas diferentes nuances
A série “Adolescência”, uma das principais produções em recorde de exibições pela Netflix neste ano, colocou em evidência a necessidade de um novo olhar para a juventude. Quando iniciei o projeto, já havia pesquisado sobre dados estatísticos alarmantes.
Exemplos: total de ataques armados em escolas no Brasil, somado entre 2022 e 2023, já superou o registro dos 20 anos anteriores a nível nacional, apontam dados da Assembleia Legislativa do Estado do Piauí.
Conforme Informe Epidemiológico sobre Suicídio e Lesões Autoprovocadas do RS, publicado em 2023, os últimos anos registraram também considerável aumento no número de suicídios e autolesões entre jovens de 15 e 19 anos.
Adolescentes vivem hoje uma cultura que pode ser bastante opressiva. Seja pela estrutura neoliberal e, no caso da Rede Pública, muitas vezes também pela precariedade estrutural. Tudo se reflete em um aumento da violência. Acredito que, com meu projeto, plantei algumas sementes. Mas é preciso muito, muito mais.
Só há possibilidade de uma sociedade pacífica com Educação e Cultura
Quem realmente cuida diariamente das e dos jovens na sociedade são, justamente, as e os professores, coordenadores, diretores. Elas e eles estão “nas trincheiras”, assumindo funções tão vitais, quanto assustadoras em determinados momentos. Quem cuida de quem cuida? Há professoras e professores precisando fazer dois, três turnos por dia.
A desmoralização de profissionais da Educação por meio de salários precários é algo que precisa nos indignar como cidadãs e cidadãos. Essa é uma das formas mais brutais de manutenção da ignorância humana, de modo que formar pessoas aptas à individuação, ao pensamento crítico racional fica em segundo plano.
O reflexo do que acabei de afirmar aparece em problemas de toda a ordem: da violência urbana à superlotação de equipamentos públicos de saúde. Não há possibilidade de uma sociedade pacífica sem acesso à Cultura e Educação.
A Escola precisa de Professores. A Escola precisa de Artistas.
E, sobretudo, de ideais elevados. Sempre. Como senti desde o primeiro instante na Escola Municipal de Ensino Básico Arnaldo Grin, que agora deixa lembrança no meu coração e o desejo de, quem sabe, um dia retornar.
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Com amor,
Rafa

