Manifesto ao amor

Imagem do acervo da 36ª Bienal de São Paulo, com entrada aberta e gratuita até janeiro de 2026, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo (Portão 3) do Parque Ibirapuera;

Desperto com uma necessidade inadiável de escrever. Não sei se serei somente eu a ler isso, ou se encontrarei outros rostos a partir de minhas palavras. É que ontem foi um dia aparentemente comum. Só que não era. Ontem, algo neste país mudou.

Estudei pela manhã e trabalhei à tarde. Fui ao cinema com M. ver o filme do Cazuza. Depois, passamos em frente ao Copan. Nas manchetes da televisão: “Jair Bolsonaro em julgamento no STF”. Fomos até o Sesc 24 de maio. Dançamos no mirante, sob as luzes da melhor cidade da América do Sul. 

Voltamos para casa. Comemos sanduíches de queijo e mortadela. Vimos um pouco do Sarau Elétrico do Luis Fernando Veríssimo para matar a saudade de onde viemos, poetas do sul que somos. Gozamos de lindas formas. Tudo enquanto os golpistas do 8 de janeiro estavam no banco de réus. 

Desperto hoje com a dor no dedo mindinho do pé, onde ontem por nervosismo arranquei um naco de unha. Agora, há um machucado que precisa cicatrizar. Assim como o Brasil, lentamente, começa a cuidar de uma ferida…histórica. Começamos a aprender, coletivamente, que existem limites. Que não se pode ferir o outro com impunidade.

Começamos a entender, coletivamente, que o amor é um princípio ético essencial a qualquer projeto de nação (seria ainda muito utópica a ideia de uma reestruturação deste próprio conceito, considerando o que acontece no mundo?). Como a cada novo dia, impossível saber o que vai vir em seguida.

Rogo para que curemos, coletivamente, as feridas deixadas por conta da lógica ditatorial que deturpou nossa educação e mentalidade política por tanto tempo. Que esta nova era seja de mais igualdade, fraternidade, possibilidade. Entoo um canto para que amadureçamos juntas, juntos, juntes.

Com meu afeto,

Rafaela Dilly Kich

São Paulo, setembro 2025.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.